Plantas são seres temperamentais

Você Sabia?

Plantas são seres temperamentais

Imagem: ArvoreÁgua

Existem plantas que são amigáveis com outras, aumentando seu bem-estar e desenvolvimento, mas existem igualmente plantas que se perseguem e odeiam excretando gases ou substâncias tóxicas, para defender seu espaço. Como explicar tal comportamento?

Para a Engenheira Agrônoma Anna Maria Primavesi (*) “Muitos acreditam que as plantas invasoras ou inços crescem em qualquer lugar aonde caiu uma semente sua. Acreditam também que as plantas são surdas, mudas, incapaz de se mover, de agir, de sentir, enfim somente um tapete verde em que caminhamos. E na verdade nem verde são, porque nós vemos a cor verde, a única das cores da luz que elas não absorvem mas refletem. Existem plantas que são amigáveis com outras, aumentando seu bem-estar e desenvolvimento como, por exemplo, as leguminosas com todos os cereais, mas existem igualmente plantas que perseguem umas
as outras e se odeiam exalando ou excretando gases ou substâncias tóxicas, para defender seu espaço, como por exemplo o girassol que vive em pé de guerra com todas as solanáceas, como batatinha, tomate, fumo, berinjela etc.”

Anna Maria Primavesi

Uma vez, na região do rio São Francisco, Ana conheceu um trabalhador rural analfabeto, mas que a impressionara por sua incrível capacidade de observação. O agrônomo chefe estava mostrando o campo com a sua planilha em mãos e explicou que naquele local tinha sido cultivado tomate. O operário que lá trabalhava ouviu-o e disse com toda convicção: ”Não senhor, foi alface”. Irritado, o agrônomo perguntou como podia saber disso, se estava trabalhando apenas há uma semana e aquela parcela havia sido colhida há duas semanas. O homem respondeu: “Pela vegetação. ” O agrônomo chamou o capataz e perguntou: “Aqui não tinha tomate? ” O homem negou com a cabeça. “Não tinha não, a semente de tomate não chegou a tempo e então plantamos alface para não deixarmos o campo muito tempo sem cultivo. ” E como o trabalhador sabia disso? Pelo mato que crescera ali.
“Cada cultura esgota o solo em um ou mais elementos e deixa sobrar outros, e o mato aparece para compensar. Por meio das culturas, a natureza procura otimizar e equilibrar a oferta de nutrientes para que o solo chegue a seu estado inicial. Por isso, cada cultivo provoca sua população de ‘mato’ tentando sanar os estragos que foram feitos. Se os estragos são grandes e o campo já não produz bem, ele vai ser tomado pela vegetação nativa, que chamamos inço ou erva invasora. Em oito ou dez anos a natureza vai recuperar esse solo, deixando-o novo outra vez. Por isso, as plantas nativas são plantas indicadoras e, ao mesmo tempo, sanadoras”, Ana explica.
”Plantas não têm pistolas automáticas ou metralhadoras, mas se empenham numa guerra química violenta. Produzem substâncias com as quais se defendem, preservando seu espaço e sua integridade, e se hostilizam também. Mas sempre para garantir um espaço de sobrevivência. Excretam substâncias voláteis pelas folhas, que agem num raio de até 50 metros; ou eliminam substâncias pelas raízes para defender seu espaço no solo. Essas substâncias normalmente são consideradas “aromáticas” como vanilina, terebintina, teeina, coffeina, etc. Mas na verdade, fazem parte do arsenal de gases tóxicos para essa guerra química sem tréguas na qual plantas e árvores se defendem.”

Girassol e Berinjela: Amigas ou inimigas? (imagem gerada por IA)

Precursora da agroecologia no Brasil, Anna foi uma importante pesquisadora da agroecologia e da agricultura orgânica, responsável por avanços no campo de estudo das ciências do solo em geral, em especial o manejo ecológico do solo.

Foi uma das pioneiras na preservação do solo e recuperação de áreas degradadas, abordando o manejo do solo de maneira integrada com o meio ambiente. Suas pesquisas apontam para uma agricultura que privilegie a atividade biológica do solo com um alto teor de matéria orgânica, evitando o revolvimento do mesmo, e substituindo o uso de insumos químicos pela aplicação de técnicas como a da adubação verde, controle biológico de pragas, entre outros. A compreensão do solo como um organismo vivo e com diversos níveis de interação com a planta foi uma das contribuições de Primavesi para a agronomia.

(*) – Anna Maria Primavesi (Nascida em Sankt Georgen ob Judenburg, 3 de outubro de 1920 — Falecida em São Paulo, 5 de janeiro de 2020), foi uma engenheira agrônoma, pesquisadora e professora universitária austríaca radicada no Brasil.

Saiba mais em: https://anamariaprimavesi.com.br/category/artigos/

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